Coluna Voz da mulher
Por Priscilla Hunck

“Primeiro eu tive vontade de denunciar, depois tive muita insegurança, e logo em seguida tive o apoio. E denunciei!”

Criar e executar políticas públicas para as mulheres, principalmente aquelas que se encontram em situação de violência doméstica, é sem dúvida um grande desafio, levando em conta a complexidade desse fenômeno social, que sempre existiu em nossa sociedade. Sabemos que a violência contra a mulher acontece de diversas formas, desde o assédio moral à agressão física e sexual.

Em Ubatuba, tivemos um índice crescente de violência contra a mulher, nos últimos 5 anos. Diante disso, cabe questionar se o poder público está agindo com responsabilidade diante desse problema, e se está de fato atuando no enfrentamento da violência.

Para obter resposta, é necessário analisar se já foi realizada alguma ação pelos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento das políticas públicas para mulheres, e se essas ações estão de acordo com a Política Nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, e com a Lei Maria da Penha.

Para combater esse problema e pensar na erradicação ou diminuição da violência contra a mulher em Ubatuba, é necessário propiciar por meio de políticas públicas, um atendimento efetivo a todas as mulheres em situação de violência, durante todo o processo de denúncia, e posteriormente, de acordo com cada necessidade.

A elaboração de políticas públicas para o enfrentamento à violência contra a mulher, deve estar principalmente vinculada a Lei Maria da Penha, pois ela é taxativa quando se fala sobre a importância da criação de medidas de enfrentamento a violência e de defesa das mulheres.

Durante o processo de construção das políticas públicas, é necessário identificar a gravidade desse problema social, para combate-lo politicamente em todas as suas formas: social, política, urbana, étnico-racial, religiosa, entre outras, e nos mais diferentes contextos socioculturais.

Tratar a violência contra a mulher como um fato isolado, sem dar a importância necessária, faz com que ela se torne crônica, sendo mais difícil enfrentá-la.

É por esse motivo que, nós mulheres, devemos reivindicar nossos direitos e garantias, para que haja uma rede de apoio à mulher, com políticas públicas eficazes de combate a violência contra a mulher em nossa cidade, para que todas mulheres se sintam seguras para denunciar seus agressores.

“A luta das mulheres por uma mudança na sociedade, possui muitas matrizes de reivindicações, mas não basta conquistar essas mudanças, é necessário lutar todos os dias para mantê-las.”

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do LC28

Priscilla Hunck
Cientista política e presidente do Instituto Todas por Uma.

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