CAFÉ COM O MERCADO
Por Sérgio Carvalho

Gloria Guevara Manzo, presidente e CEO da WTTC, abordou, em uma conferência da ITB (Bolsa de Turismo de Berlim/Alemanha), que o overturismo tem significados distintos em diferentes locais e pode atingir uma cidade inteira ou apenas um ponto isolado dentro dela.

Ela explicava que o problema é dividido em cinco tipos: moradores locais descontentes, experiência turística negativa, infraestrutura sobrecarregada, danos à natureza e ameaça à cultura – qualquer semelhança NÃO é uma mera coincidência.

Há muitos anos em que as atividades do turismo de Ubatuba vêm gerando diversos impactos negativos e, claro, desagradam a maioria dos moradores e ao que parece, e em nada se consegue ser solucionado por nossas autoridades.

Nossa alta temporada, nossos feriados e nossos finais de semana, vivenciamos o fenômeno do overturismo, também chamado de “turismofobia” ou “antiturismo”, superando a capacidade máxima que Ubatuba suporta receber visitantes, causando transtornos para os moradores e para os próprios viajantes.

Com Ubatuba superlotada, nossa infraestrutura passa a não dar conta da demanda, e os preços sobem, claro. E nós moradores é quem pagamos a conta….sempre. Nos sentimos sufocados, ameaçados e prejudicados pelos altos preços dos aluguéis, supermercados e restaurantes e outros bens de consumo, que em vários períodos do ano, o número de turistas em Ubatuba supera facilmente o dos cerca de 92 mil residentes.

Mais do que falar sobre a situação de Ubatuba, é urgente gerar o debate de como contornar nossos históricos problemas gerados pela principal atividade econômica do município, já que nenhuma cidade quer afugentar os turistas e diminuir o lucro que eles proporcionam.

Baseada em amplas pesquisas feitas pela WTTC, Gloria Guevara Manzo, presidente e CEO da WTTC, sugeriu cinco pontos: planejar a longo prazo, promover um trabalho conjunto entre público, privado e comunidade, diversificar o produto, encorajar os viajantes a irem a locais diferentes, em horários diferentes para experiências diferentes, e utilizar a tecnologia.

A gentrificação provocada pelo turismo está longe de ser exclusividade em Ubatuba, claro.

Mas não há dúvidas de que nossa cidade poderá ser um exemplo nacional. Expulsos pelos aluguéis abusivos, os moradores são deslocados para fora do centro. Pouco a pouco, o comércio também passa a ser direcionado aos turistas. Saem as quitandas, chegam as lojas de aluguel de bike elétrica.

Fecham as padarias de toda a vida, aparecem os brunchs. Morre a mercearia do “Seu Mário”, aparece o hipermercado …. “com preços de turista”, é óbvio. O resultado é o de uma cidade que não se sustenta pela “vida real”. Nosso futuro como cidade turística é assustador.

Qualquer semelhança NÃO é uma mera coincidência.

Deixe seu comentário abaixo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do LC28

Sérgio Carvalho
Diretor da Minor Hotels Participação, Consultor de Empresas, Pós-graduado e especialista em Administração Hoteleira e

Turismo com atuação no Brasil, Angola, Colômbia, França e Holanda, ex-Secretario de Turismo de Parintins-Amazonas, Ubatuba e ex-Chefe de Gabinete e sub- Secretario de Turismo do Governo do Estado de São Paulo

Compartilhe: