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A Comtur vai ser extinta por decisão da prefeitura com o apoio dos vereadores, mas a culpa do futuro encerramento das atividades da Companhia Municipal de Turismo não é somente deles. Na verdade, talvez faltasse espaço neste texto para nominar todos os que colaboraram, ao longo de muitos anos, para que a situação resultasse nesta triste decisão. Não há nada a se comemorar, mas a lamentar.

Digo triste porque a Comtur é uma estrutura administrativa que se tivesse sido bem utilizada poderia ter acrescentado muito ao município e auxiliado bastante na estruturação de um turismo forte.

Seu regime estatutário, como empresa de economia mista, permite, por exemplo, uma mobilidade econômica, gerencial e administrativa que a Secretaria Municipal de Turismo não possui.

Em um setor em que a dinâmica é fundamental para ajustes e ações pontuais como é o turismo, a Comtur deveria ser um braço operacional da Setur e trabalhar em conjunto, lado a lado, fortalecendo esse setor que é a vitrine da cidade, tem grande potencial, mas que está longe de ser forte.

Ao longo dos anos, prefeitos, vereadores, diretores e presidentes se encarregaram de transformar a Comtur em uma grande caixa preta, onde muito sempre se falou, mas pouco se provou.

Menina dos olhos dos gestores, a cobrança da zona azul sempre foi cercada de mistérios e críticas. Mistérios porque nunca se soube ao certo o seu potencial de arrecadação, já que os balanços sempre foram cercados de questionamentos, assim como a forma arcaica e ultrapassada de cobrança por meio de “papeizinhos”, que sempre tiveram sua eficiência questionada.

Há quem diga que sempre foi a cobrança da zona azul a responsável pelo cuidado, atenção e olhares da gestão pública para cima da Companhia.

Por ser acionista majoritária, com 51% das ações, a prefeitura sempre estendeu seus braços para manter o controle a partir da indicação do presidente e o cuidado para sua eleição.

Fala-se em prejuízos, viu-se vários aportes financeiros, muitas falas sobre furtos, mas, na realidade, a verdade é que, ao longo dos anos, a Comtur foi sendo usada como cabide de empregos de vereadores, a partir de seus indicados; cabide de empregos de prefeitos, que a usaram para pagamento de promessas de campanha; usada como moeda de troca política, e assim por diante.

É triste falar sobre o fechamento porque, apesar da sua importância para o turismo da cidade, a Comtur tem o seu fechamento decretado com o apoio de boa parte da população, justamente a que deveria defendê-la por se tratar de um patrimônio local, mas que há muito questiona a finalidade de uma empresa que contribuiu infinitamente menos do que a importância que deveria ter tido.

Agora, a cobrança da zona azul, motivo da cobiça de tantos, vai para as mãos da Emdurb, outra empresa que, administrativamente, poderia ser muito útil ao município, mas que foi sucateada, por interesses e ações muito semelhantes à Comtur.

Parece que corremos o risco de mudarmos o problema apenas de lugar. Porque o problema não é a Comtur, o problema são os gestores.

Não há um culpado pelo fechamento, há culpados, muitos, que se mostraram ao longo dos anos menos atentos aos anseios da população do que aos seus interesses políticos.

** As opiniões expressas nesta coluna não representam necessariamente a opinião do LN21.

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