A baía esquecida de Ubatuba: o silêncio sobre a despoluição do Cruzeiro e Itaguá

Enquanto Ubatuba desponta como um dos destinos mais procurados do Brasil, a principal baía da cidade segue imprópria para banho, sem ações concretas para sua recuperação ambiental.

Por Ednelson Prado
5 Min

A baía esquecida de Ubatuba: o silêncio sobre a despoluição do Cruzeiro e Itaguá
Foto: arquivo

Podem me chamar de saudosista, de tolo de sonhador ou iludido, mas toda vez que fico de frente para essa baía me pergunto por qual razão não vejo nossos governantes, e nem mesmo a população, falarem sobre despoluir Cruzeiro e Itaguá.


Me recordo, ainda na quarta série, lá pelos meus novo anos, a primeira vez que nadei sozinho no Cruzeiro, apenas na companhia dos colegas de escola. Sim, eram outros tempos, a gente ia para a praia sozinho, mesmo que escondido, na pureza de quem queria apenas se divertir.


Me recordo também das vezes que nadei no Itaguá, na companhia dos meus primos, ainda menino, tendo o "caisinho" como meu grande desafio.


Me lembro também da tradicional travessia de Ubatuba, na qual milhares de pessoas partiam do Cruzeiro rumo ao "Caisão", demonstrando resistência e coragem.


Pelo que me recordo, e pode ser que eu seja traído pela memória, as coisas começaram a mudar em meados da década de 1980, com a chegada da "Estação de Tratamento" da Barra da Lagoa.


De lá para cá, a coisa só piorou e a poluição foi tomando conta dos rios Grande e Acaraú, local no qual também brinquei quando criança, e tornando o Itaguá e o Cruzeiro como locais impróprios para o banho, ano após ano.


Hoje, me incomoda ver uma cidade inteira calada, sem se manifestar contra este crime que é nos privar do uso de um dos locais mais lindos de nossa cidade. Um local ao qual nos cabe apenas contemplar, mas não utilizar.


E eu me questiono as razões para que nada seja feito em prol da despoluição desse espaço, afinal, como cidade turística que vivemos dizendo que somos, sendo, como o publicado aqui mesmo neste portal, uma das cidades mais procuradas como ponto de visitação no país, a quarta mais buscada no Brasil para o carnaval 2025, teríamos ganhos enormes, se a principal praia da região central pudesse ser usada para o banho, para eventos esportivos, para a prática de esportes náuticos diversos, inclusive de Fórmula 1 náutica.


Governo após governo, medíocres que têm sido, não vejo a discussão e prática pela busca de solução para algo tão à nossa frente, tão à nossa cara, tão importante, mas que parece invisível aos olhos de todos, que é a nossa baía linda ser imprópria ao banho, inutilizável, a não ser para modestas caminhas em início de manhã, ou no fim de tarde.


Digo governos medíocres pois eles têm, em sua ineficiência, incapacidade e covardia, nos acostumado a normalizar as coisas, pois não sabem, não possuem vontade, capacidade e nem coragem para assumir grandes projetos, grandes lutas, mesmo que elas resultassem em melhorias para uma de nossas melhores economias, o turismo (ressalto que jamais esquecerei a importância da economia da construção civil para nossa cidade).


Ao falar em mediocridade de parte da classe política, considero o entendimento de mediano, médio, o que é muito pouco para uma cidade que gera a atenção que Ubatuba promove neste segmento tão importante.


Afinal, há recursos nos governos federal e estadual, e até iniciativa privada, para buscar ; há tecnologia para realizar, falta coragem, vontade e competência.


Precisamos de vontade, capacidade e coragem para os desafios que Ubatuba possui. E como fica cada dia mais difícil acreditar que isso vá ocorrer a partir desses governantes que aí estão, que já demonstraram incompetência, incapacidade, falta de vontade e falta de coragem suficientes, temos de encontrar outros caminhos.


Um deles poderia ser a partir de nossos empresários, muitos dos quais se beneficiam do turismo. Mas, quanto a eles, muitos também carecem de coragem e vontade de fazer diferente.


Muitos sabem reclamar, vários se beneficiam do "status quo" justamente para que assim possam manter seus postos de figuras dominantes. Um pensamento pequeno, para uma cidade que pode tanto, que possui tanto potencial.


Mas, apesar disso, ainda é possível acreditar que da vontade e das ações da classe empresarial da cidade é muito mais possível sonhar com conquistas maiores, com realizações maiores do que esperar que isso parta desses governantes medíocres já citados no texto.


É essa ainda a minha esperança, para ver nossa baía viva novamente, nossa principal praia da região central tomada pelos banhistas, palco dos mais diversos eventos esportivos, que nossa classe empresarial se junte em torno de um objetivo único e trabalhe para que isso ocorra.


Então, se não é pelo sonho de reviver os momentos de infância como eu, que seja pelos interesses financeiros e políticos de muitos, mas que algo seja feito, pois perdemos muito por não fazer.


Tenho certeza de que todos ganhariam, os empresários, os turistas, os moradores e até a parcela incompetentes dos políticos que temos.



Finalizo reafirmando o sonho de que um texto como este acenda uma luz ao fim do túnel, que toque a parcela empresarial da cidade que ainda se importa, para que possamos unir forças e mudar a realidade atual de um dos nossos mais belos cartões postais.






Ednelson Prado


Jornalista - Doutor em Comunicação




** a opinião de nossos articulistas não representam, necessariamente, a opinião do LN21.


Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://ln21.com.br/.