BRASÃLIA  A decisão que levou à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), neste sábado (22), cita uma série de fatores considerados de "alto risco" pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles, a violação da tornozeleira eletrônica, o risco de fuga durante a vigÃlia convocada por seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a proximidade da residência do ex-presidente com a embaixada dos Estados Unidos, a cerca de 13 km.
A prisão foi decretada no inÃcio da manhã, e Bolsonaro foi detido pela PolÃcia Federal (PF) por volta das 6h, em BrasÃlia. Ele estava em prisão domiciliar desde agosto, decisão tomada por Moraes após descumprimento de medidas cautelares. O ex-presidente foi levado para a Superintendência da PF e colocado em Sala de Estado, espaço reservado a autoridades.
Segundo a decisão, a convocação de uma vigÃlia em frente ao condomÃnio de Bolsonaro, feita por Flávio Bolsonaro na noite de sexta-feira (21), motivou a avaliação urgente do STF. Moraes afirmou que a mobilização representava "altÃssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar" e poderia causar "tumulto" suficiente para inviabilizar ações policiais.
Para o ministro, o ato repetirÃa o "modus operandi" atribuÃdo pelo STF ao grupo investigado, usando manifestações públicas "para obter vantagens pessoais" e interferir no cumprimento de decisões judiciais.
Moraes também registrou que, às 0h08 deste sábado, recebeu alerta de "violação" da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro. A decisão não detalha o tipo de violação, mas afirma que o episódio indicaria possÃvel intenção do ex-presidente de romper o dispositivo.
O ministro escreveu que a confusão gerada pela vigÃlia poderia servir como "cobertura" para tentativa de fuga.
Outro ponto destacado na decisão é a proximidade da casa de Bolsonaro com a embaixada dos EUA, que poderia ser alcançada em cerca de 15 minutos de carro. Moraes lembrou que, em investigação anterior, o ex-presidente havia sido apontado como tendo planejado fuga para a embaixada da Argentina para solicitar asilo polÃtico.
Embora a fuga não tenha ocorrido, o ministro considerou que a distância reduzida até a representação diplomática norte-americana reforça o risco de evasão.
Moraes também mencionou que aliados próximos de Bolsonaro deixaram o paÃs enquanto eram alvos de ações penais. Entre os citados estão:
Alexandre Ramagem,
Carla Zambelli,
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.
Para o ministro, o movimento de aliados reforça a possibilidade de que Bolsonaro pudesse tentar a mesma estratégia.
Com esses elementos  risco à ordem pública, violação da tornozeleira, possibilidade de fuga e conduta de aliados  a prisão domiciliar decretada em agosto foi convertida em prisão preventiva, medida sem prazo fixo e que deve ser reavaliada periodicamente pela Justiça.
Até a última atualização deste texto, a defesa do ex-presidente ainda analisava os pontos técnicos da decisão e não havia divulgado manifestação sobre os fundamentos mencionados pelo STF.