STF aponta violação de tornozeleira e risco de fuga; Moraes decreta prisão preventiva de Jair Bolsonaro

Ministro aponta risco à ordem pública, possível tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica e proximidade da embaixada dos EUA como fatores para converter prisão domiciliar em preventiva.

Redação
22/11/2025 08h50 - Atualizado há 3 meses
3 Min

STF aponta violação de tornozeleira e risco de fuga; Moraes decreta prisão preventiva de Jair Bolsonaro
Foto: Agência Brasil

BRASÍLIA — A decisão que levou à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), neste sábado (22), cita uma série de fatores considerados de "alto risco" pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles, a violação da tornozeleira eletrônica, o risco de fuga durante a vigília convocada por seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a proximidade da residência do ex-presidente com a embaixada dos Estados Unidos, a cerca de 13 km.


A prisão foi decretada no início da manhã, e Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal (PF) por volta das 6h, em Brasília. Ele estava em prisão domiciliar desde agosto, decisão tomada por Moraes após descumprimento de medidas cautelares. O ex-presidente foi levado para a Superintendência da PF e colocado em Sala de Estado, espaço reservado a autoridades.


Risco à ordem pública durante vigília convocada por Flávio Bolsonaro


Segundo a decisão, a convocação de uma vigília em frente ao condomínio de Bolsonaro, feita por Flávio Bolsonaro na noite de sexta-feira (21), motivou a avaliação urgente do STF. Moraes afirmou que a mobilização representava "altíssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar" e poderia causar "tumulto" suficiente para inviabilizar ações policiais.


Para o ministro, o ato repetiría o "modus operandi" atribuído pelo STF ao grupo investigado, usando manifestações públicas "para obter vantagens pessoais" e interferir no cumprimento de decisões judiciais.


Violação da tornozeleira eletrônica às 0h08


Moraes também registrou que, às 0h08 deste sábado, recebeu alerta de "violação" da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro. A decisão não detalha o tipo de violação, mas afirma que o episódio indicaria possível intenção do ex-presidente de romper o dispositivo.


O ministro escreveu que a confusão gerada pela vigília poderia servir como "cobertura" para tentativa de fuga.


Proximidade com a embaixada dos Estados Unidos


Outro ponto destacado na decisão é a proximidade da casa de Bolsonaro com a embaixada dos EUA, que poderia ser alcançada em cerca de 15 minutos de carro. Moraes lembrou que, em investigação anterior, o ex-presidente havia sido apontado como tendo planejado fuga para a embaixada da Argentina para solicitar asilo político.


Embora a fuga não tenha ocorrido, o ministro considerou que a distância reduzida até a representação diplomática norte-americana reforça o risco de evasão.


Aliados que deixaram o país pesaram na decisão


Moraes também mencionou que aliados próximos de Bolsonaro deixaram o país enquanto eram alvos de ações penais. Entre os citados estão:



  • Alexandre Ramagem,

  • Carla Zambelli,

  • Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.


Para o ministro, o movimento de aliados reforça a possibilidade de que Bolsonaro pudesse tentar a mesma estratégia.


Conversão da prisão domiciliar em preventiva


Com esses elementos — risco à ordem pública, violação da tornozeleira, possibilidade de fuga e conduta de aliados — a prisão domiciliar decretada em agosto foi convertida em prisão preventiva, medida sem prazo fixo e que deve ser reavaliada periodicamente pela Justiça.



Até a última atualização deste texto, a defesa do ex-presidente ainda analisava os pontos técnicos da decisão e não havia divulgado manifestação sobre os fundamentos mencionados pelo STF.


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