Em três anos, São Paulo inaugurou 11 estruturas náuticas públicas em municípios banhados pelos rios Tietê e Paraná e por represas do interior. A Setur-SP prevê mais 21 novas entregas até 2026 e estuda centros de visitação subaquáticos, ampliando o turismo náutico e o potencial econômico regional.
O interior paulista, tantas vezes associado às estradas de terra e ao cheiro de café, agora olha para outra fronteira: a água.
Nos últimos três anos, o Governo de São Paulo entregou 11 estruturas náuticas públicas, distribuídas ao longo do Tietê, do Paraná e de grandes represas. Plataformas flutuantes que antes eram promessa, hoje se tornaram pontos de embarque, desembarque e circulação de turistas em cidades como Pederneiras, Timburi, Avaré, Pereira Barreto, Rubineia, Três Fronteiras, Piraju, Araçatuba, Sales, Mira Estrela e Presidente Epitácio.
O investimento — R$ 14,5 milhões — é discreto no papel, mas carrega um objetivo maior: transformar o turismo náutico em vetor de desenvolvimento econômico.
Com a chegada da infraestrutura, pequenas cidades ganham movimento. Embarcações param, visitantes descem, restaurantes vendem peixe, artesãos encontram público, pousadas enchem. A lógica é simples: quando o barco tem onde encostar, a economia respira.
E o ritmo não deve desacelerar
Segundo a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), mais 21 estruturas estão previstas para 2026, com orçamento estimado em R$ 45 milhões. A meta é criar um corredor navegável, capaz de estimular rotas turísticas contínuas, integrar municípios e consolidar São Paulo como destino náutico nacional.
Além dos píeres, o programa inclui crédito para modernização de portos, criação de distritos turísticos náuticos e ações de promoção de destinos — do litoral às margens de represas.
Outra frente ganha atenção: os centros de visitação subaquáticos. Técnicos visitaram localidades como Presidente Epitácio, Itapura, Rifaina, Guarujá e Ilhabela entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 para mapear biodiversidade, correntes e infraestrutura necessária. A ideia é viabilizar áreas de mergulho autônomo, flutuação e cilindro — algo raro no Brasil e com alto potencial turístico.
Enquanto isso, São Paulo marca presença em feiras como Cruise360, Pesca Trade Show, São Paulo Boat Show e Seatrade Cruise Global, buscando trocas com o setor de cruzeiros e operadores internacionais.
No horizonte, o que se desenha é simples:
um estado que antes navegava por terra agora começa a navegar por água.
Sem pressa, mas com direção.