Ubatuba e cidades do Litoral Norte estão sob monitoramento após fortes chuvas registradas neste domingo (4). Somente em Ubatuba, o acumulado chegou a 158 mm em seis horas, o equivalente a 65% da média de janeiro. O volume elevado causou alagamentos em diferentes bairros. No sistema viário, a Serra Mogi-Bertioga foi parcialmente liberada após interdição total por segurança. O gabinete de crise do Governo de São Paulo segue mobilizado, enquanto há registro de dezenas de desabrigados em cidades da Baixada Santista e Vale do Ribeira.
Ubatuba abriu a semana sob atenção redobrada após registrar um dos maiores volumes de chuva do litoral paulista. Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicam que, em apenas seis horas, o município acumulou 158 milímetros de precipitação — cerca de 65% da média esperada para todo o mês de janeiro, estimada em 242 mm. De acordo com informações da prefeitura, em 72 horas, o índice já teria ultrapassado os 200 milimitros, com o Sertão da Quina como o bairro que teria registrado o maior volume, em torno de 220 milimetros.
A Defesa Civil Municipal informou, logo pela manhã, registros de alagamentos em vias dos bairros Perequê-Açu, Estufa I, Estufa II e na Avenida Rio Grande do Sul, que inclusive já foi liberada e recebe, neste momento, grande fluxo de veículos. Equipes seguem em campo realizando vistorias técnicas e monitorando áreas consideradas mais sensíveis. Até o momento, não há registro de vítimas, desabrigados ou desalojados na cidade.
A forte chuva que caiu sobre a cidade entre a noite de sábado e a manhã de domingo coincidiu com o registro de maré alta e ressaca, que previa ondas de até três metros, o que teria agravado a dificuldade de extravasamento das águas da chuva.
O cenário de instabilidade levou o gabinete de crise do Governo de São Paulo a manter monitoramento contínuo em cidades do litoral e do interior. A atuação é integrada, envolvendo órgãos estaduais, municipais e concessionárias, com foco na mitigação de riscos, resposta rápida às ocorrências e orientação à população.
Impacto nas rodovias do litoral
As chuvas também afetaram o sistema viário. A Serra Mogi-Bertioga (SP-098), entre os quilômetros 77 e 92, foi totalmente interditada por segurança e, no início da tarde, parcialmente liberada. A operação ocorre com apenas uma faixa na subida, exclusiva para veículos de pequeno e médio porte. Caminhões e veículos pesados seguem proibidos de trafegar no trecho.
Segundo a Concessionária Novo Litoral (CNL), o volume acumulado de aproximadamente 200 milímetros nas últimas 72 horas superou o limite considerado seguro para a operação da serra. Desde novembro de 2024, início da concessão do Lote Novo Litoral, esta foi a primeira interdição motivada exclusivamente pelo excesso de chuva. A concessionária informou que mantém programas permanentes de gerenciamento de risco e monitoramento de encostas.
Como alternativa, os motoristas foram orientados a utilizar o Sistema Anchieta/Imigrantes. A Ecovias implantou a Operação Subida 2×8 para facilitar o retorno de veículos vindos do litoral. A interligação Planalto permanece interditada no sentido litoral devido à neblina.
Na Tamoios e Oswaldo Cruz não houve o registro de interdição, até o momento do fechamento desta matéria.
Na Oswaldo Cruz, o fluxo é intenso sentido Taubaté, com trânsito lento na altura do posto da Polícia Rodoviária Estadual, no quilômetro 88.
Situação em outras cidades
Em Mongaguá, moradores receberam alertas via Cell Broadcast sobre chuvas persistentes. Houve alagamentos nos bairros Nossa Senhora de Fátima e Agenor de Campos, além da queda de uma estrutura metálica na Praça Dudu Samba. Ao menos 38 pessoas ficaram desabrigadas e foram encaminhadas ao abrigo montado no Ginásio Arturzão.
Em Cubatão, o extravasamento do Rio Cubatão, conhecido como Rio Pilões, provocou a inundação de nove residências. A Assistência Social encaminhou 36 pessoas para abrigos provisórios próximos ao local. As equipes seguem em campo levantando os danos.
No Vale do Ribeira, em Pariquera-Açu, foram registradas quedas de árvores na Rodovia Ivo Zanella, nos quilômetros 1, 2 e 7. O trecho opera com interdição parcial, sem registro de vítimas, enquanto equipes do DER realizam a limpeza da via.
As autoridades reforçam a orientação para que moradores e turistas acompanhem os comunicados oficiais, evitem áreas de risco e redobrem a atenção ao trafegar por rodovias durante o período de instabilidade climática.