Brasil e África do Sul assinam plano de cooperação turística com foco em conectividade aérea e promoção bilateral de destinos

Lula e Ramaphosa assinaram o acordo no Planalto; plano prevê hubs aéreos em São Paulo e Joanesburgo para ampliar fluxo de turistas até 2029.

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Brasil e África do Sul assinam plano de cooperação turística com foco em conectividade aérea e promoção
Foto: Ministério Turismo/divulgação
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (9/3) o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa no Palácio do Planalto, em Brasília. A cerimônia incluiu a assinatura do novo Plano de Ação de Cooperação Turística entre Brasil e África do Sul, com vigência prevista para o triênio 2026/2029. O documento estabelece como eixos centrais o aumento da conectividade aérea bilateral, a promoção conjunta de destinos turísticos, o intercâmbio institucional e ações de capacitação no setor. O plano prevê o posicionamento do Brasil como hub aeronáutico sul-americano para voos vindos da África do Sul, enquanto Joanesburgo assume o papel de hub regional africano para voos com origem no Brasil. A cerimônia contou com a participação do ministro do Turismo do Brasil, Gustavo Feliciano, e da ministra do Turismo da África do Sul, Patricia de Lille. Após o encontro, as delegações se reuniram em almoço oficial no Palácio do Itamaraty.

Uma segunda-feira de março em Brasília, e dois presidentes assinaram papéis. O evento em si — uma cerimônia diplomática com palanque, discursos e protocolo — é o tipo de coisa que acontece com regularidade no Palácio do Planalto. O que o distingue das demais visitas de estado é o que está escrito naquele papel: um plano concreto para que um brasileiro que queira ir à Cidade do Cabo e um sul-africano que queira conhecer o Nordeste precisem cada vez menos de uma escala em Lisboa ou Dubai para chegar lá.

Lula recebeu Cyril Ramaphosa na manhã de 9 de março. A agenda bilateral rendeu a assinatura do novo Plano de Ação de Cooperação Turística entre os dois países, com vigência para o triênio 2026/2029, e contou com a presença dos respectivos ministros do setor: Gustavo Feliciano, pelo Brasil, e Patricia de Lille, pela África do Sul.

 

O que o plano prevê: hubs aéreos e promoção bilateral

O documento assinado não é declaração de intenções. Tem estrutura de programa: conectividade aérea como eixo central, promoção conjunta de destinos, intercâmbio de informações entre instituições de turismo e ações de capacitação voltadas ao setor.

O ponto de maior impacto operacional é a definição de hubs aeronáuticos. Pelo plano, o Brasil atuará como hub sul-americano para voos provenientes da África do Sul — com São Paulo como ponto natural de entrada. Joanesburgo, por sua vez, será o hub africano para voos com origem no Brasil, funcionando como porta de acesso ao continente. A lógica é reduzir a dependência de conexões europeias em rotas que, geograficamente, não precisam delas.

O Sul Global tem uma característica paradoxal: países que dividem latitude, interesses e desafios comuns, mas se comunicam historicamente por rotas que passam pelo Norte. O plano tenta encurtar esse caminho.

 

O que disseram os presidentes e ministros

"Estamos renovando o Plano de Ação para o fortalecimento da nossa cooperação turística, alinhando-o aos atuais objetivos conjuntos do Brasil e da África do Sul. Esse plano envolve um estreito intercâmbio voltado à promoção turística integrada dos dois países, com reflexos em pontos centrais, como o aumento da conectividade aérea."

— Gustavo Feliciano, ministro do Turismo do Brasil

"O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura."

— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil

"No turismo, o Brasil recebe mais turistas do que nós recebemos. Temos muito a aprender."

— Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul

A frase de Ramaphosa é, na prática, o diagnóstico que justifica o acordo. O Brasil recebeu mais de 6,6 milhões de turistas internacionais em 2024. A África do Sul, apesar do apelo de destinos como Cidade do Cabo e o Parque Nacional Kruger, opera em volume bem inferior. A parceria, ao menos na retórica oficial, não é de iguais — mas de países com vocações complementares que ainda não se olham diretamente.

 

O contexto: Sul Global, BRICS e a aposta na integração direta

Brasil e África do Sul não são parceiros novos. Os dois países integram o BRICS, o G20 e compartilham histórico de colonização, diversidade cultural e economia em desenvolvimento. O que ainda faltava, no setor de turismo, era um plano com prazo e objetivos definidos.

O timing da assinatura não é acidental. A África do Sul presidiu o G20 em 2025 e o Brasil ocupou a presidência em 2024. Ramaphosa está em Brasília como parte de uma agenda mais ampla de fortalecimento bilateral em comércio, investimentos e intercâmbio de conhecimento — o turismo é um dos pilares, não o único.

O desafio concreto, e que o plano reconhece indiretamente, é a conectividade. A distância entre São Paulo e Joanesburgo é de cerca de 7.800 km — menos do que o voo para Nova York. Mas os voos diretos entre os dois países são escassos e irregulares. Sem frequência aérea, qualquer promoção turística conjunta tem alcance limitado.

 

Ficha do acordo

Data

9 de março de 2026 (segunda-feira)

Local

Palácio do Planalto, Brasília/DF

Presentes

Lula (Brasil), Ramaphosa (África do Sul), Ministros Gustavo Feliciano e Patricia de Lille

Documento

Novo Plano de Ação de Cooperação Turística Brasil–África do Sul

Vigência

Triênio 2026/2029

Hubs previstos

Brasil (hub sul-americano) e Joanesburgo (hub africano) para voos bilaterais

Eixos do plano

Conectividade aérea, promoção conjunta de destinos, capacitação, intercâmbio institucional

Evento seguinte

Almoço oficial no Palácio do Itamaraty, Brasília


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