A Praia de Itamambuca, em Ubatuba, foi eleita a segunda melhor praia do Brasil para aprender a surfar pelo jornal Estado de Minas, publicado nesta quarta-feira (18/3). O levantamento destaca o canto esquerdo da praia — próximo à foz do Rio Itamambuca — como área com ondas menores e bem formadas, adequadas para iniciantes, com escolas de surf no local. Itamambuca aparece à frente de São Sebastião, no próprio Litoral Norte paulista, e da Praia do Rosa, em Santa Catarina. A relação de Ubatuba com o surfe é anterior a qualquer ranking: começa em 1967, com a chegada dos irmãos Paulo e Ricardo Issa, e inclui o primeiro Festival Brasileiro de Surfe realizado em 1972, a fundação da Associação Ubatuba de Surfe (AUS) em 1979, uma escolinha municipal criada em 1995 com cerca de 300 alunos e a formação de atletas como Filipe Toledo. Para 2026, o calendário esportivo inclui uma etapa da WSL (World Surf League) no QS4000, entre 30 de abril e 3 de maio, e a 3ª etapa do Campeonato Brasileiro de Surfe, de 18 a 26 de julho.
O Jornal Estado de Minas publicou esta semana um ranking com as sete melhores praias do Brasil para quem quer aprender a surfar. A Praia de Itamambuca, em Ubatuba, ficou em segundo lugar.
A posição pode parecer surpreendente para quem conhece Itamambuca pelo outro ângulo — aquele dos campeonatos, das ondas maiores e dos surfistas que acordam às cinco da manhã para pegar as melhores séries. Mas o ranking do Estado de Minas olhou para o canto esquerdo da praia, próximo ao Rio Itamambuca. Ali, a configuração do fundo muda, as ondas ficam menores e mais previsíveis, e há escolas de surf operando com estrutura para receber quem está começando.
A mesma praia que hospeda campeonatos tem, em um de seus cantos, as condições que um iniciante precisa. Isso é Itamambuca.
À frente de São Sebastião — também no Litoral Norte paulista — e da Praia do Rosa, em Santa Catarina, Ubatuba aparece no ranking ao lado de destinos consolidados do surf nacional. O levantamento considerou características como formação das ondas, segurança e infraestrutura para quem está dando os primeiros passos no esporte.
Quando Itamambuca aparece num ranking nacional, a reação imediata é: claro. Mas a explicação diz mais sobre a praia do que sobre o ranking.
Uma história que começa em 1967 — antes de qualquer campeonato
O surfe chegou a Ubatuba em 1967, com os irmãos Paulo e Ricardo Issa. Não havia internet, não havia WSL, não havia escola de surf. Havia o oceano e quem queria entendê-lo.
Em 1972, foi criada a primeira associação local de surfe e realizado o primeiro Festival Brasileiro de Surfe — que teria edições até 1987. Em 1979, foi fundada a Associação Ubatuba de Surfe (AUS), que segue em atividade até hoje. Em abril de 1995, a Prefeitura de Ubatuba criou a escolinha municipal na Praia Grande — primeiro equipamento público dedicado à formação de surfistas na cidade. Hoje, a escola opera com duas sedes, na Praia Grande e no Perequê-Açu, e atende cerca de 300 alunos.
Entre os formados por esse ecossistema está Filipe Toledo — campeão mundial de surf que começou a surfar nas ondas de Ubatuba.
Filipe Toledo não é um acidente. É o resultado de décadas de investimento numa cultura que a cidade levou a sério antes de qualquer ranking.
O surfe como vetor econômico — o que os números indicam
"O esporte garante visibilidade e ainda combina saúde, qualidade de vida e entretenimento — questões que acabam diretamente atreladas à economia."
— Anderson Paiva, secretário de Turismo de Ubatuba
A afirmação do secretário tem base em dados que o setor conhece bem. Segundo o Ministério do Turismo, o turismo esportivo é hoje uma das vertentes que mais impulsionam o fluxo de visitantes no Brasil. Eventos de surfe de alto nível — como etapas da World Surf League — chegam a movimentar cifras na casa dos R$ 159 milhões em cidades-sede, dependendo do nível da competição, com impacto direto em hotelaria, gastronomia, comércio e serviços.
Em Ubatuba, o efeito é mensurável. A Taça Brasil de Surfe, realizada em julho de 2025 em Itamambuca após dez anos de ausência, trouxe competidores, equipes de apoio, famílias e fãs que ocuparam a cidade por dias. A retomada das competições é, para a Secretaria de Turismo, parte de uma estratégia de turismo esportivo que busca fluxo de visitantes fora dos meses de verão — exatamente o ponto mais delicado do calendário turístico do litoral norte.
O que vem em 2026 — dois eventos nacionais confirmados
O calendário de 2026 em Ubatuba coloca Itamambuca no mapa esportivo internacional em duas ocasiões. A primeira é entre 30 de abril e 3 de maio: a realização do Circuito Banco do Brasil de Surfe — WSL Qualifying Series 4000 (QS4000). O evento é válido para os rankings sul-americano e internacional da World Surf League, com disputas nas categorias masculina e feminina. Um QS4000 é o segundo nível mais alto do circuito classificatório da WSL — abaixo apenas do QS10000 e dos eventos do Championship Tour.
A segunda competição acontece entre 18 e 26 de julho: a 3ª etapa do Campeonato Brasileiro de Surfe, organizada pela Confederação Brasileira de Surf. Junto com a Taça Brasil de 2025, a sequência indica que Ubatuba não apenas voltou ao mapa das competições nacionais como passou a ocupar espaço regular nele.
Dois eventos de surfe de nível nacional em um único ano — ambos em Itamambuca, no outono e no inverno. Esse é o calendário de uma cidade que decidiu usar o esporte como estratégia de temporada.
Agenda de surfe em Ubatuba — 2025 e 2026
| Data | Evento | Local |
| Jul/2025 | Taça Brasil de Surfe — retorno após 10 anos | Praia de Itamambuca |
| 30 abr a 3 mai 2026 | Circuito Banco do Brasil de Surfe — WSL Qualifying Series 4000 (QS4000) | Praia de Itamambuca |
| 18 a 26 jul 2026 | 3ª etapa do Campeonato Brasileiro de Surfe — Confederação Brasileira de Surf | Ubatuba |
Fontes: Secretaria de Turismo de Ubatuba, Confederação Brasileira de Surf, WSL/CLISURF.