Ubatuba integra o guia 'Come To Brasil With Netflix', desenvolvido pela Embratur em parceria com a Netflix para promover destinos brasileiros a partir de produções audiovisuais. A cidade entrou no guia como locação do reality Ilhados com a Sogra, gravado na Praia da Caçandoca — área preservada de quilombo a cerca de 25 km do centro, onde uma vila cenográfica foi montada do zero na ponta direita da praia em meados de 2023. A iniciativa faz parte de uma estratégia maior de turismo audiovisual: usar o alcance das produções da Netflix para ampliar a visibilidade de destinos brasileiros no exterior. O fundamento da estratégia tem respaldo em pesquisa da Embratur com Visa e Instituto Ipsos, realizada com mais de 8 mil viajantes de cinco países, que revelou que as praias brasileiras são o principal fator de motivação de viagem para 75% dos turistas estrangeiros. Os mercados ouvidos — Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e Uruguai — respondem por cerca de 60% do fluxo internacional para o Brasil. Ubatuba não é novidade nas telas: a cidade já foi cenário de produções como Caramuru: A Invenção do Brasil, Hans Staden, Tainá 2, Cidade Invisível e Vou Nadar Até Você, protagonizado por Bruna Marquezine.
A estratégia é simples na teoria e difícil na prática: usar filmes e séries de grande alcance para levar destinos turísticos até quem ainda não os conhece. Antes de ver o destino, o turista viu a cena. E quando viaja, vai procurar o que ficou na memória da tela.
A Embratur e a Netflix formalizaram essa lógica no guia 'Come To Brasil With Netflix' — um material que mapeia praias brasileiras que serviram de locação para produções da plataforma e as transforma em sugestões de visitação. Na nova edição, Ubatuba entrou.
A cidade entrou pela porta dos fundos — ou melhor, pela praia do quilombo.
A locação que levou Ubatuba ao guia foi a Praia da Caçandoca. Em meados de 2023, uma equipe de produção do reality Ilhados com a Sogra montou uma vila cenográfica do zero na ponta direita da praia — estrutura temporária que reproduzia o ambiente isolado proposto pelo programa. A Caçandoca é uma área preservada de quilombo, a cerca de 25 km do centro de Ubatuba, com acesso por estrada de terra e praias de apelo visual difícil de fabricar em estúdio.
A equipe de produção foi até a Caçandoca porque a natureza entregou o que nenhum cenário construído entregaria. O quilombo entrou para a tela — e agora entra para o guia.
O que é o 'Come To Brasil With Netflix' — e como funciona
O guia 'Come To Brasil With Netflix' é uma iniciativa da Embratur — Instituto Brasileiro de Turismo — em parceria com a Netflix para o mercado de turismo audiovisual. A lógica do turismo audiovisual está consolidada mundialmente: destinos que aparecem em produções de grande audiência registram aumento mensurável no interesse de visitantes.
A edição atual foca em praias — o que não é escolha aleatória. Uma pesquisa da Embratur com Visa e Instituto Ipsos, ouvindo mais de 8 mil viajantes de Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e Uruguai, revelou que as praias brasileiras são o principal fator de motivação de viagem para 75% dos turistas estrangeiros. Os cinco países pesquisados respondem por aproximadamente 60% do fluxo internacional para o Brasil em 2025.
O guia reúne destinos de diferentes estados, com informações sobre as locações de gravação e sugestões de visitação. Está disponível em cometobrasilwithnetflix.com.br/creditos.
A Caçandoca — o que o turista vai encontrar
A Praia da Caçandoca não é facilmente acessível e não pretende ser. Está a cerca de 25 km do centro de Ubatuba, no extremo norte do município, com acesso por estrada de terra. É área preservada de quilombo — o Quilombo da Caçandoca, reconhecido pela Fundação Cultural Palmares em 2005 e objeto do primeiro decreto federal de desapropriação em favor de quilombolas no Brasil, publicado em setembro de 2006.
A praia em si tem água clara e Mata Atlântica que desce até a areia — cenário que explica por que a produção do Ilhados com a Sogra foi até lá em vez de simular o ambiente em outro lugar. A vila cenográfica montada em 2023 já não existe: o que resta é a praia, o quilombo e a comunidade que vive ali e recebe visitantes mediante agendamento com a Associação dos Remanescentes.
Para quem vai à Caçandoca motivado pela aparição no programa ou no guia da Netflix: o que vai encontrar é a praia sem o cenário. Que é mais do que o suficiente.
A câmera da Netflix foi até a Caçandoca porque o lugar existe antes de qualquer produção. Depois da produção, ele continua existindo — e o guia turbina a procura.
Uma cidade que a câmera conhece há décadas
Ubatuba não estreou nas telas com o reality de 2023. A relação da cidade com as produções audiovisuais é mais antiga e mais variada do que o guia da Netflix registra.
Em 1999, o filme Hans Staden usou áreas naturais de Ubatuba para compor a ambientação histórica da obra. Em 2001, Caramuru: A Invenção do Brasil aproveitou a região de Picinguaba para representar paisagens do período colonial — escolha que diz muito sobre a capacidade visual de um trecho de costa que quase não mudou nos últimos séculos. Em 2004, Tainá 2: A Aventura Continua usou o litoral ubatubense para compor ambientes de floresta. Mais recentemente, a série Cidade Invisível — produção da própria Netflix — gravou cenas no município usando suas áreas naturais para compor parte da ambientação. E o filme Vou Nadar Até Você, protagonizado por Bruna Marquezine e lançado em 2024, teve sequências gravadas no litoral e no mar de Ubatuba.
Ubatuba nas telas — histórico de produções audiovisuais
| Produção | Ano | Tipo | Locação em Ubatuba |
| Caramuru: A Invenção do Brasil | 2001 | Filme | Picinguaba — paisagens do período colonial |
| Hans Staden | 1999 | Filme | Áreas naturais de Ubatuba |
| Tainá 2: A Aventura Continua | 2004 | Filme | Trechos do litoral como ambientes de floresta |
| Cidade Invisível | 2021 | Série Netflix | Áreas naturais — composição de ambientação |
| Vou Nadar Até Você | 2024 | Filme | Litoral e mar — sequências com Bruna Marquezine |
| Ilhados com a Sogra | 2023 | Reality Netflix | Praia da Caçandoca — vila cenográfica montada in loco |
Fonte: informações fornecidas pela Prefeitura de Ubatuba e compilação de registros públicos de produções.
A câmera volta para Ubatuba por razões que os dados de produção confirmam: diversidade de paisagens, Mata Atlântica intacta, mar e litoral com apelo visual que o interior não tem. E uma infraestrutura de locação que foi sendo construída ao longo de décadas.
O que o turismo audiovisual move — o dado que a Embratur usa
O turismo audiovisual é, na nomenclatura da Embratur, uma das frentes estratégicas da promoção do Brasil no exterior. A lógica funciona porque o alcance de uma plataforma como a Netflix supera qualquer campanha publicitária tradicional: uma série assistida em 190 países leva o destino a audiências que nenhum anúncio pago atingiria na mesma escala.
A pesquisa Embratur/Visa/Ipsos dá a dimensão do que está em jogo: 75% dos turistas estrangeiros que visitam o Brasil apontam as praias como principal motivador. Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e Uruguai — os cinco países ouvidos — representam 60% do fluxo internacional. Quando uma praia brasileira aparece numa produção da Netflix distribuída nesses mercados, o efeito sobre a intenção de visita é mensurável.
Ubatuba, com mais de 100 praias e 80% do território em unidades de conservação, tem exatamente o tipo de cenário que esse turismo busca: natural, pouco alterado e fotogênico sem precisar de filtro.