CAFÉ COM O MERCADO
Por Sérgio Carvalho

Imagem de carlaoubatuba0 por Pixabay

O que separa o sonho de grandeza de uma cidade como Ubatuba da realidade angustiante é uma sucessão de decisões equivocadas tomadas na economia de um dos mais importantes destinos do turismo brasileiro.

Não é possível dizer que, nos últimos 17 ou 20 anos, nossos Prefeitos tenham errado por inexperiência ou incompetência.

Ubatuba, leia-se Governo do Estado de São Paulo, sempre foi um histórico de sucesso na preservação da Mata Atlântica que ainda, nos dias de hoje, é considerado uma das fatias mais preservadas deste importante bioma ecológico do Sudeste, de importância turística sempre ranqueada junto às principais plataformas especializadas, nacionais e estrangeiras e de extensa produção econômica associada.

Porém, nada disso pôde ser traduzido em um alavancado município de pungência econômica ou mesmo em um importante polo indutor local e regional .

Por várias razões, à época aparentemente corretas, o poder público municipal, em suas constantes decisões errôneas, tornou-se um sério risco às empresas aqui legalmente constituídas, e sua população mais carente vem pagando um alto preço socioeconômico, comprometendo, assim, toda uma cadeia de negócios sustentáveis, inclusive — sufocando — e sobretudo — as bem-sucedidas iniciativas tentadas ao longo do tempo.

Urgentemente hoje, e agora, em tempos da pandemia COVID-19, tornou o cenário de recuperação futura de Ubatuba mais assustador.

Inebriadas pelas conquistas ou nas tentativas de copiar municípios que fizeram suas lições de casa e se tornaram exemplos de gestão pública e econômica, nossos gestores tornaram-se autoconfiantes demais, deixando de lado a sua capacitação, profissionalização e disciplina necessária para a tomada de decisões. Impossível estimar as perdas acumuladas ao setor empresarial e de sua comunidade.

Faz-se urgente constituir uma missão da governança local, pública e privada, que tenha o turismo como a principal atividade econômica municipal – O QUE JAMAIS FOI CONSIDERADO POR NENHUM GESTOR MUNICIPAL – traçando assim uma visão de futuro, construindo plano e antecipando de curto, médio e longo prazos em ações para o já anunciado tempos difíceis que se avizinham, e que trarão impacto econômico negativo local, regional e nacional.

Uma missão que promova a organização da governança regional, a requalificação do turismo, a organização da oferta turística e de toda a cadeia produtiva municipal e a inovação; mostrando suas múltiplas características e figurando com resultados complexos para a economia, abordando suas implicações no desenvolvimento da sociedade local.

Apesar do momento atual em que a pandemia nos coloca, talvez estejamos em uma situação ideal para a inovação radical. O único caminho para melhorias radicais no turismo está também na reinvenção do seu próprio sistema tradicional e equivocado.

Inovação em estratégia é encontrar a vocação (sempre sintonizada às tendências de futuro) de cada empresa ou empresário e incentivar em cada local em que sua empresa está implantada o desenvolvimento do conjunto de atividades de suporte necessário à sua evolução sustentável de sua atividade turística.

Vivemos na era do ser humano livre, que vive e contribui para a comunidade, servindo e sendo servido, ajudando e sendo ajudado ­ sempre crescendo e evoluindo junto com todos. O mercado do turismo também depende da paz social nas comunidades em esforços concentrados de curto prazo e que devem envolver a todos como a criação de redes de comunidade autossustentáveis.

Pra frente UBATUBA !!!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do LC28

Sérgio Carvalho
Diretor da Minor Hotels Participação, Consultor de Empresas, Pós-graduado e especialista em Administração Hoteleira e
Turismo com atuação no Brasil, Angola, Colômbia, França e Holanda, ex-Secretario de Turismo de Parintins-Amazonas, Ubatuba e ex-Chefe de Gabinete e sub- Secretario de Turismo do Governo do Estado de São Paulo

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