[metaslider id=5145]

 

No dia 28 de junho de 1914 Gavrilo Princip acordou sobressaltado. Ele havia sonhado com Yelena, sonho recorrente, ela sorrindo e embarcando no carro de Yuri. E ele imaginando o que fariam quando chegassem à casa dele. Gavrilo levantou da cama e abriu a porta, atendendo às pancadas. Era a sua mãe.

Com dificuldade para disfarçar a ereção Gavrilo ouviu a cantilena sobre as vantagens de ser médico. E também teve de engolir as reclamações da mãe, incomodada por ele ficar de lado e evitar olhá-la diretamente. Ele escutou pacientemente e atendeu quando sua mãe implorou para que vestisse um casaco. Foi providencial, as armas ficariam escondidas.

Caminhando pelas ruas de Sarajevo com a cabeça rodando em volutas ao redor de Yelena ele a viu passar ao lado de Yuri a bordo do elegante Delahaye de 120 HP. Gavrilo empunhou a pistola enlouquecido de ciúmes. E atirou cego pela ira. Acertou o arquiduque Ferdinando, herdeiro do império Austro-Húngaro que passava por ali. Gavrilo foi preso e morreu encarcerado.

Yuri e Yelena, dona da melhor bunda da Sérvia, mudaram para a Argentina onde viveram por muitos anos e tiveram uma ninhada de filhos. A morte do arquiduque, alvejado por Gavrilo redundou na primeira guerra mundial que pouca gente sabe que foi motivada pela fixação de um anarquista nas curvas de uma mulher, fixação esta que acometeu Oscar Niemeyer muitos anos depois, ele que também só pensava naquilo.

Sidney Borges
Jornalista e professor de Física

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do LN21.

Compartilhe: