Comerciantes da região central estão preocupados com ameaças que têm recebido de moradores de rua, que abordam clientes nas portas dos estabelecimentos pedindo dinheiro e comida. Segundo um empresário, dono de um restaurante, e que pediu para não ser identificado, tem aumentado, nas últimas semanas, a chegada e a abordagem de moradores em situação de rua junto ao estabelecimento comercial. Ele disse que, se ele nega ajuda, começa a ouvir xingamentos e ameaças. Ele chegou a citar a situação de um empresário que teria sido agredido por um dos pedintes. “Esse empresário está com problemas de saúde a acabou agredido fisicamente esta semana. A situação está preocupante. Eu sempre fui de apoiar, tentar ajudar sempre que possível, mas agora a situação se agravou e está perigosa, porque não conseguimos auxiliar a todos e aí somos ameaçados”, disse.
Na manhã desta quinta-feira, em uma padaria do centro da cidade, a reportagem do LN21 presenciou dois homens pedindo ajuda. Ao terem o pedido negado por clientes, eles começaram a gritar na porta do estabelecimento e a praguejar os consumidores. “Vocês estão negando comida, vão morrer secos, vão ter câncer e morrer”. Os gritos assustaram as pessoas que tomavam café no local.
O proprietário do comércio conversou com os dois homens, pedindo para que eles se retirassem e também foi ofendido. Ele repetiu à reportagem que a situação tem se agravado. “São pessoas que não são daqui, e estão chegando mais, e nada é feito. Não tenho problemas em ajudar, mas agora tem vindo uns que são muito agressivos, já chegam alterados, alcoolizados, e aí fica difícil”.
Conversamos com alguns policiais militares a respeito. Pedindo para não serem identificados, eles disseram que a situação está bastante complicada. “Temos feito o que podemos, mas hoje existem restrições de como podemos agir nesses tipos de situação. A abordagem acaba prejudicada pois temos de seguir um caminho que nos impede de sermos mais rígidos, mesmo diante de uma situação como essa, em que eles estão alterados. A sociedade quer que sejamos bonzinhos demais, então, estamos sendo”, disse um deles.
Sem citar diretamente, os policiais se referiam à decisão recente do STF, Supremo Tribunal Federal, que formou maioria para proibir o recolhimento forçado de bens e pertences dos moradores de rua, assim como a remoção compulsória dessa população, e o uso de técnicas de “arquitetura hostil” contra as populações em situação de rua.
Com isso, os policiais se sentem receosos de terem qualquer medida para coibir situações como as relatadas pelos empresários, e presenciada pela reportagem do LN21, entendidas como hostil e que acabem penalizados de alguma forma por isso.
“Não temos muito o que fazer. Chegamos, acompanhamos, mas estamos limitados. Só que estão chegando cada vez mais pessoas nessa situação. Esses, por exemplo, vieram de São Bento do Sapucaí, conversamos com eles, acabaram de chegar, e já deu pra perceber que já estão alterados, mas temos muito pouco a fazer. Não temos nada contra as pessoas em situação de rua, só que tem aumentado e nada tem sido feito. Está um verdadeiro paraíso para eles. Tem muito comerciante que ajuda, então, fica ainda mais difícil fazer algo, porque, apesar de estarem em situação de rua, muitos têm resistência para ir para outro lugar, irem para abrigos”, relatou um dos policiais com os quais conversamos.
Para os comerciantes que conversaram com a nossa reportagem, não há perspectiva de melhora pois não há políticas públicas claras e nem ações sendo realizada para mudar a atual realidade que só tende a se agravar com a chegada da temporada.
Encaminhamos à prefeitura questionamento sobre a situação, para saber sobre as medidas que poderiam ser tomadas em relação ao problema, mas até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta.